terça-feira, 29 de outubro de 2013

XXVIII InterQuinta_Jung – Debate

            Exibirá o filme: “Minhas Tardes Com Marguerite”, seguido de debate.

Sinopse: Germain é um cinquentão quase analfabeto. Marguerite é uma senhora apaixonada por livros. Quarentas anos e muitos quilos os separam. Um dia, por acaso, ele senta ao lado dela em um banco no parque. Ela recita em voz alta versos dando assim, a ele a chance de descobrir a magia dos livros, que nunca fizeram parte de sua vida. Mas Marguerite está perdendo a visão e pelo carinho e afeto que serão criados dessa relação, Germain irá aprender a ler, para mostrar que pode fazer, quando ela não puder mais.

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                                                                        Informações Técnicas

                                                                            Título: Minhas Tardes com Margueritte
                                                                             Ano de Lançamento: 2010                                                                                                               Recomendação: 12 anos                                                                                                    Direção: Jean Becker                                                                                                                       Gênero: Drama
                                                                                     Duração: 82 minutos
                                                                                      País de Origem: França
                                                                        

Elenco: Gerárd Depardieu; Gisèle Casadesus; Maurane; Patrick Bouchitey.

Data da Exibição: 31/10/2013
Horário: 20h00      
Local: Sala de Projeção Municipal, piso superior da Biblioteca Municipal. Entrada pela Av. Rio Branco.

Comentários:

Rosângela Prado Muller: Psicóloga especialista em Saúde Pública e Psicologia Judiciária; mestre em Distúrbios da Comunicação Humana.

domingo, 20 de outubro de 2013

Criança também sofre


            De repente, a criança muito bem-educada, calma em seus gestos e palavras, de modo geral quieta em seus comportamentos, generosa com seus irmãos, primos e colegas, cumpridora de seus deveres e obrigações domésticas e escolares, revela uma face “oculta” que confunde a cabeça de todos: fala palavrões que “nunca” se ouviu em casa, agride física e verbalmente a qualquer pessoa conhecida ou não, desobedece aos pais e professores, fica irrequieta perturbando a “paz” da casa, da escola, da igreja ou de onde estiver, perde a calma e se comporta de maneira estranha ao habitual.

Esta situação, naturalmente gera algumas questões: O que está acontecendo com ela? Com quem aprendeu tudo isto? Por que fez isto? Como agir nestas situações?

Se forem descartadas as possibilidades de ordem psíquica, hereditária (não em todos os casos) e de eventos traumatizantes (separações dos pais, morte de algum deles, acidentes físicos), é preciso olhar à volta. O meio ambiente e as influências dos pais certamente estão por trás destes eventos.

Conforme C. G. Jung (1875-1961), a criança pode apresentar dois tipos de personalidades: “Artificial, que imita tudo aquilo que acontece ao seu redor”, ou uma “personalidade dupla, por um lado são razoáveis e adaptadas, mas ao mesmo tempo existe alguém do outro lado que é completamente diferente” (Seminários sobre sonhos de crianças. Petrópolis: Vozes, 2011, p. 262).

A criança com “personalidade artificial” pensa mais ou menos assim: É melhor ser e se comportar da mesma maneira como os meus pais e os outros são e fazem, porque é mais fácil, e não posso ser e me comportar à minha maneira senão não serei amado por ninguém.

Note que a adaptação social, neste caso, se dá com um mínimo de esforço. Se a criança sentir que “precisa” aprender outro jeito de ser e de fazer as coisas que ela não vê nos adultos à sua volta, logo preferirá seguir o movimento que encontra ao seu redor, por considerá-lo mais fácil. Para ela afirmar seu próprio modo de ser representará uma enorme dificuldade. Mas, à medida que cresce perceberá que há momentos em que terá de ser ela mesma, que não é possível mentir o tempo todo, especialmente quando for namorar ou se casar, se quiser ser sincero na relação íntima.

Enquanto que as crianças com “personalidade dupla”, se quiserem chamar atenção preferirão demonstrar aquilo que o meio ambiente aprova, elogia, prefere, seja de ordem intelectual ou emocional, conforme os talentos que possui.

Se os pais, a escola e/ou a igreja aprovam “alguns” comportamentos e desaprovam outros, a criança poderá apresentar um caráter totalmente oposto no lugar que achar mais conveniente. Mas, isto gera um grande sofrimento psíquico a ela, mas não sabe como expressá-lo. E mais: não podemos ser ingênuos em relação às crianças.
Para Jung, crianças bem-educadas podem desenvolver pensamentos extravagantes que pertencem ao lado desconhecido de suas personalidades, ou seja, quando querem obedecer aos pais, acontece algo que as atrapalha; se sabem que devem fazer a lição escolar, de repente, simplesmente a “vontade” desaparece; sabem que precisam se comportar bem na escola, mas não conseguem; sentem que não podem bater no primo e/ou na colega, mas batem assim mesmo, sem saber porquê, e sofrem por isso.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Crianças psicopatas. Como tê-las?

         Para o psiquiatra, psicanalista e filósofo francês Henri Ey (1900-1977), as atitudes das mães quanto ao desmame e o controle dos esfíncteres, por exemplo, determinam quão tolerantes às frustrações podem ser as crianças, uma vez que, através destas experiências elas podem desfrutar prazer e benefícios ao adquirem novos comportamentos e novos atos por si mesmos (Manual de psiquiatria. Rio de Janeiro: Masson/Atheneu, 1985).
É como se o controle dos esfíncteres fosse a primeira experiência que temos com os nossos corpos, ainda “inéditos”. “Inauguramos” a nossa presença no mundo, e os pais, funcionam como a nossa melhor “plateia”. Pais com atitudes ambivalentes, ora indulgentes, ora severos nestes momentos “inauguradores”, ou ainda, ausentes, distantes, fracos, autoritários, apressados para que as crianças “aprendam logo a se controlar”, criam-nas carentes, podendo evoluir para uma psicopatia.
            Conforme Ey, o psicopata é alguém que tem como única opção descarregar a tensão interior que vivencia sem controle de seus pensamentos mais elaborados, pois ficam “capturados como reféns” de seus comportamentos inadequados.
            Para Alberto Pereira Lima Filho, psicólogo analítico e professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Católica de São Paulo (PUC/SP), para o indivíduo psicopata “inexiste a internalização de conflitos”, e por isso, revela comportamento desprovido de emoção no momento do ato, quer dizer, apresenta uma atitude “fria”, revela-se primitivo, ávido e intolerante ao que deseja e não é possível ser realizado, sem culpa, incapaz de elaborar sua pulsão. Para ele: “O ato psicopático é imediato (não mediatizado pela linguagem) não há elaboração mental. O gesto é executado sem o conhecimento do Eu, dando ao observador a impressão de um vazio mental; o sujeito é incapaz de explicar o gesto (como justificativas, apresenta palavras estereotipadas ou racionalização secundária); contraste entre bom nível de cultura (adaptação prática) e incapacidade de processar verbalmente a vivência emocional da crise (atuação)” (O pai e a psique. São Paulo: Paulus, 2002, p. 314).
            Em “A criança como indivíduo” (Cultrix: São Paulo, 2006), o psiquiatra inglês Michael Fordham (1905-1995), um dos maiores expoentes no estudo de crianças na psicologia analítica, ao atender as necessidades do/a filho/a, na hora certa, a mãe o/a conduz ao processo de encontrar-se com o seu (da criança) Self, que ela representa. Se tal representação for positiva e satisfatória, a criança afasta a possibilidade de apresentar alguma psicopatia, sendo assim, protagonista de seu próprio processo de desenvolvimento mental.
Os pais, então, são um dos maiores fatores na formação da estrutura do Eu das crianças, descartando questões genéticas e traumáticas involuntárias. Por isso, é importante que mães e pais prestem atenção em algumas de suas atitudes para com as crianças, desde os seus primeiros dias de vida, ainda “estreantes”, se não quiserem passar pelo sofrimento de conviver com um/a filho/a psicopata.

            Ampliando um pouco mais o espectro das fases de vida das crianças, isto nos leva a considerar: a formação do caráter e o desenvolvimento da consciência moral das crianças iniciam muito mais cedo do que imaginamos, e por isso, os pais precisam resistir às demandas intrometidas dos parentes, estranhos e meios de comunicação.

domingo, 6 de outubro de 2013

A que as crianças estão sujeitas!

            Se o comportamento inadequado de uma criança origina-se de algum transtorno psíquico: “É preciso compreender aquilo que, na organização de uma personalidade psicopática, provém de predisposições somáticas, de más condições sociais e o que provoca reações psicológicas do indivíduo, tornando-o incapaz de equilibrar em si mesmo sua pessoa e seu destino” (EY, H. Manual de psiquiatria. Rio de Janeiro: Masson/Atheneu, 1985, p. 369, apud LIMA FILHO, A. P. O pai e a psique. São Paulo: Paulus, 2012, p. 304).
            É bom se cercar de posicionamentos sem extremos como este para evitar tendências de “rotular” as pessoas, principalmente quando se trata de crianças, com diagnósticos que, na maioria das vezes, não representam mais do que as angústias dos pais e/ou responsáveis, inclusive de professores. Entretanto, é importante ressaltar: as teorias são auxiliares na orientação quanto às análises que precisam ser realizadas, contudo, como adverte Carl Gustav Jung (1875-1961): “A teoria é o melhor disfarce para a falta de experiência e para a ignorância, mas as consequências são deprimentes: mesquinhez, superficialidade e sectarismo científico” (JUNG, C. G. O desenvolvimento da personalidade. Petrópolis: Vozes, 1983, p. 10).
Com tal posicionamento, Jung defende a ideia de que o desenvolvimento humano é muito “elástico”, podendo apresentar significativas alterações em todas as fases da vida e, em especial, na infância, por que suas disposições são polivalentes.
            Para fins didáticos, destaco o estudo de Alberto Pereira Lima Filho, psicólogo analítico e professor do Programa de Pós-Graduação em Psicologia Clínica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), no qual nos apresenta a contribuição do neuropsiquiatra basco Julian Ajuriaguerra (1911-1993), em seu Manual de Psiquiatria Infantil, no qual categorizou os distúrbios antissociais em: 1. Personalidades subnormais (simples desvios da personalidade; possui uma relativa adaptação, mas as formas extremas são patológicas, incluindo pobreza de juízo e incompatibilidade social); 2. Psicopatas (ignoram responsabilidades; não distinguem o verdadeiro do falso; falta persistente de autocrítica; falta de aprendizagem pela experiência; incapacidade de amar; sentimentos superficiais; dureza e brutalidade evidentes); 3. Personalidades antissociais (indivíduos predadores que perseguem fins mais ou menos criminais); 4. Transtornos de caráter e do comportamento (transtornos de conduta mais estáveis, interiorizados e resistentes aos tratamentos do que “perturbações transitórias situacionais”); 5. Delinquência juvenil (puro atentado à lei; roubo, delitos de violência – agressão física e homicídio; delitos sexuais – estupro e prostituição; fuga e vagabundeio; toxicomania.
            Variados são os fatores que levam alguns indivíduos a apresentarem tais distúrbios: genéticos – hereditários; traumáticos – mortes, separações e perdas emocionais repentinas e significativas; sociais – gravidez indesejada por ambos os pais, negação de afeto em tenra infância, convivência temporária ou permanente com parentes ou estranhos, relações pouco harmoniosas entre os pais, violência doméstica e meios de comunicação; e, ambiente familiar – mães inseguras no cuidar do filho, crescente diminuição da importância do papel do pai em nossa sociedade, independência precoce, inclusive financeira, o que leva as crianças a se sentirem donas de si próprias muito cedo e num mundo à parte de seus pais.

sábado, 28 de setembro de 2013

As "verdades" das crianças

       Você já perguntou para alguma criança o que ela acha do modo como é tratada pelos adultos, principalmente, quando é apanhada em algum comportamento inadequado?
Pergunte! Mas, não saia de perto nem a deixe falando sozinha. Ouça tudo o que ela tem para dizer. E, tenha coragem, por que vai ouvir verdades que só ela conhece.
Para Andrés Felipe Bedoya, colombiano de oito anos de idade, adulto é: “Pessoa que em toda coisa que fala, fala primeiro dela mesma”, em “Casa das estrelas: o universo contado pelas crianças”, de Javier Naranjo, (http://www.bbc.co.uk/portuguese /noticias/2013/05/130518_dicionario_criancas_colombia_aw_cc.shtml).
Bedoya nos conta uma verdade, longe de ser ingênua e/ou idealizada: criança é aquilo que julgamos que ela é segundo os nossos padrões. Entretanto, se formos honestos, verificaremos que muitas vezes, são padrões ultrapassados, e pior, consideramo-los inquestionáveis. Provavelmente, se tivessem oportunidade, as crianças diriam o mesmo que Ana Luisa, certa vez, aos cinco anos, disse: “Pai, fale comigo. Eu preciso falar. Minha cabeça tá cheia de palavras” (LIMA FILHO, A. P. O pai e a psique. São Paulo: Paulus, 2002, p.495). Quantos estão dispostos a não enjeitar as “palavras”?
Cabe-nos perceber, entretanto, que contínua, às vezes, desesperadamente, devido às condições em que encontram a família, o país e a humanidade, as crianças nos comunicam suas “verdades” através de palavras, desenhos, gestos, comportamentos, omissões, os estágios do seu desenvolvimento como pessoa, como um indivíduo que está em franco confronto com os distúrbios do mundo psíquico dos pais, e com o inconsciente coletivo com que se depara em seus sonhos e fantasias, nos quais podem se perder, na construção de uma identidade própria e única: “Eu sou eu, e não você”.
“Esse processo interno precisa de pessoas que o acompanhem, com as quais o indivíduo possa se relacionar: pessoas que compreendam, confrontem, encorajem, façam demandas, limitem, deem fundamento, etc” (JACOBY, M. Psicoterapia junguiana e a pesquisa contemporânea com crianças: padrões básicos de intercâmbio emocional. São Paulo: Paulus, 2010, p. 59).

Como as crianças podem lidar melhor com suas angústias, sem comportamentos inadequados, por exemplo, se não lhe oferecemos um ambiente acolhedor, facilitador, nos quais se sintam pessoas e não objetos? Para quem, senão aos adultos, as crianças podem expressar suas emoções subjetivas, como, por exemplo, quando se sentem deprimidas ou chateadas, uma falta de autoestima, uma ansiedade que não sabem explicar, um vazio interno muito grande, ou uma completa falta de sentido percebido no mundo no qual exigimos existir? Como, podem lidar com a “segunda pessoa” que as habita, isto é, como expressar as sombras pessoais e coletivas, sem se perderem de si mesmas em seus instintos não-diferenciados pela educação? Será que a nossa melhor resposta é responsabilizá-las pela nossa negligência, poupando-as de frustrações e das limitações inerentes à natureza humana, forçá-las a crescer a agir como nós, prescrever-lhes medicamentos?

quarta-feira, 25 de setembro de 2013


XXVII InterQuinta_Jung – Debate

            Exibirá o filme: “Antes de Partir”, seguido de debate.

Sinopse: Você só vive uma vez, portanto, por que não viver com estilo? Essa é a conclusão a que chegam dois pacientes portadores de câncer internados em um mesmo quarto, um irritável bilionário (Jack Nicholson) e um simplório mecânico (Morgan Freeman), quando recebem as más notícias. Cada um deles monta uma lista de coisas a serem feitas até o momento derradeiro, e juntos saem mundo afora para viver a maior aventura de suas vidas. Salto de pára-quedas? Perfeito. Pilotar um Mustang Shelby em alta velocidade? Feito. Admirar a grande pirâmide de Khufu? Feito. Descobrir a alegria em suas vidas antes que seja tarde demais? Feito! Sob a competente direção de Rob Reiner, estes dois astros oferecem interpretações de corpo e alma nesta inspirada saudação à vida, que prova que o melhor momento para se viver ainda é o agora.
Informações Técnica: 
Título: Antes de Partir
 Ano de Lançamento: 2007                                                                                                  Recomendação: 10 anos
Direção: Rob Reiner                                                                                                                Gênero: Drama
Duração: 97 minuto
País de Origem: EUA
                                      
Data da Exibição: 26/09/2013
Horário: 20h00      
Local: Sala de Projeção Municipal, piso superior da Biblioteca Municipal. Entrada pela Av. Rio Branco.

ComentáriosElaine Cristina Bertinotti Gomes – Psicóloga Clínica, Escolar. Atua há 22 anos no Colégio Cristo Rei de Marília, especialista em Orientação Vocacional voltada para os Tipos Psicológicos de Jung.
Entrada Franca

domingo, 22 de setembro de 2013

Bandeiras negras (2)

             O que está preto em nosso País, simbolizado pelas bandeiras negras hasteadas no Rio de Janeiro, no último dia 7 de setembro, não é difícil perceber: as péssimas condições de funcionamento dos serviços públicos; o superfaturamento em obras; a impunidade a políticos comprovadamente criminosos; programas econômicos que levam as pessoas a contraírem mais dívidas; sistemas de transporte coletivo, público e privado, caros e sucateados; ruas e avenidas esburacadas, com trânsito cada vez mais lento; desigualdade social muito grande; execução de obras que atendem a interesses particulares e o abandono, à própria sorte, de populações miseráveis, que servem como massa de manobra em época de eleições; analfabetismo; negligência e indiferença para com as crianças, idosos e outras minorias sociais; etc. A lista é grande!
            Numa sociedade democrática, as soluções passam pelas ações político-sociais. Quer dizer, as responsabilidades precisam ser compartilhadas pelos representantes do povo, e pelos cidadãos. Cabe aos cidadãos cobrar dos agentes públicos, ações que atendam a coletividade. Contudo, cada um de per si precisa se lembrar que todas as situações sociais se originam do fundo inconsciente que opera subliminarmente.
Segundo a perspectiva da psicologia analítica de Carl Gustav Jung (1875-1961), se quisermos ter uma experiência de nós mesmos e da vida, e consequentemente, de uma sociedade mais consciente de seus direitos e deveres, o inconsciente coletivo e pessoal, através de sua linguagem simbólica, geralmente, apresentada em nossos sonhos – atividade onírica –, é o nosso mais fiel guia e conselheiro. Cabe-nos analisar, interpretar e enfrentar as realidades apresentadas pelo inconsciente, e principalmente, quando nos faz senti-lo por meio de um estado negativo, como se tem apresentado nestes últimos tempos, golpeando a nossos mais profundos anseios sociais.
            Conforme James Hillman (1926-2011), psicólogo e analista junguiano estadunidense, “o preto extingue o mundo colorido perceptivo” (Psicologia alquímica. Petrópolis: Vozes, 2011, p. 134).
            A realidade brasileira nos indica que estamos cercados de trevas, e isto não é pessimismo, antes, reconhecimento necessário para nos por em movimento, para construir uma sociedade melhor, pois nada pode ser considerado fixo entre os humanos, nem mesmo a pretensa segurança que as riquezas produzidas podem proporcionar.
Aquelas bandeiras negras simbolizam que estamos passando por uma mudança de paradigmas, daí o sentimento de ameaça e insegurança generalizado, por não sabermos o rumo a que as situações podem nos levar. Mas, isto faz parte do processo, se quisermos uma transformação real, em busca de novas metas.
            “Cada momento de enegrecimento é um arauto da mudança, de descoberta invisível e de dissolução das ligações com tudo aquilo que foi tomado como verdade e realidade, fato sólido ou virtude dogmática. Ele escurece e sofistica o olhar de forma que ele pode enxergar através” (Hillman, p. 136).
            E, o que é possível “enxergar através” da situação que se nos apresenta?

            Que as estruturas sociais e políticas que nos impedem novas conquistas precisam ser dissolvidas; que, por melhor que possa ser alcançado, não podemos nos satisfazer, pois o inconsciente não para de agir e a golpear-nos, pois visa a nos levar para mundos ainda melhores.