domingo, 2 de dezembro de 2012

Irritação deprime (2)


            As pesquisas mais atualizadas confirmam: a duração da felicidade pode ser um pouco mais de vinte horas; o medo leva alguns segundos ou no máximo uma hora, para passar; a raiva, não ultrapassa mais do que algumas horas; mas, a tristeza pode durar mais do que um dia inteiro. Portanto, a tristeza que faz fundo à depressão, é a emoção que mais experimentamos por mais tempo. Caso permaneçamos tristes por mais de duas semanas, como a perda de um ente querido, separação ou divórcio, por exemplo, entre outras situações, faz-se necessário considerar a possibilidade de estarmos em depressão.
            Na semana passada afirmamos que a depressão entre professores pode estar associada à constante irritabilidade a que estão sujeitos no exercício profissional, entretanto, para se mostrarem pessoas simpáticas, e às vezes, por temerem algum tipo de punição não verbalizam quanto ao motivo que os deixa irritados, entretanto, demonstram em sua expressão gestual, nos mal-entendidos e perturbações que causam ao ambiente de trabalho, que estão em grave perigo, e ainda, com o passar do tempo, ficam ainda mais, irritados e raivosos. E, perguntamos: O que fazer?
O biólogo, educador ambiental, doutor em Meio Ambiente pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e professor das redes municipais de educação do Rio de Janeiro e de Niterói/RJ, Declev Dib-Ferreira, faz um sincero e aberto desabafo: “Morreram dois (alunos de uma escola pública do Rio de Janeiro). Coisa estúpida. Escola de luto. Eu que já não estou bem, fico pior. O que sinto é um imenso, grande, enorme, incomensurável vazio. Uma sensação de frustração além de minha capacidade de entender. Uma vontade de chorar e me enrolar feito um bebê – ou de beber e chorar até me enrolar. Me pergunto o por quê de tudo isso, se o que eu faço vale a pena, se o que eu sofro tem sentido. (...) Não nos dão o direito de surtar, não podemos ficar doentes, não podemos ter nossos próprios problemas, não podemos gritar, não podemos sair de nós, não podemos ter uma crise!!!” (http://www.diariodoprofessor.com).
            O professor Dib-Ferreira nos ajuda a trazer a irritação para um nível mais “administrável”, e como ele podemos tomar algumas decisões: admitir que manter velada a irritação não é a melhor maneira de tratá-la; reconhecer que a irritação e a raiva podem servir para melhorar os relacionamentos interpessoais, pois através destas emoções podemos delimitar até mesmo espaços físicos a serem ocupados no ambiente social que queremos ocupar, isto é, passamos a evitar os lugares onde as fontes de irritação são presentes, podendo até mesmo, melhorá-los; estabelecer opiniões próprias acerca das circunstâncias que nos irritam para que os outros nos conheçam e nos respeitem, pois assim assumimos nossa própria identidade e encaramos as situações com a verdade da coragem; considerar que ficar irritado não implica em ser agressivo nem ficar com raiva, pois o que mais importa é que as situações que motivaram a irritação sejam discutidas para se encontrar as suas soluções.
               Como afirma a presidente da Associação Internacional de Psicologia Analítica, professora na Universidade de Zurique, Suíça, e psicóloga junguiana Verena Kast (1943-): “Quem se permite ficar irritado acredita que a vida ainda pode mudar. Quem não se permite já não acredita nisso – a irritação nos mostra que algo não vai bem e nos ajuda a modificar relações que julgamos insuportáveis, ou ao menos difíceis de suportar. A raiva e a irritação nos dão a energia necessária para efetuar essas modificações” (Revista Viver Mente&Cérebro. São Paulo: Duetto Editorial, Nº 140, 2004, p. 72).

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